Espetáculo da Comunhão retrata vida e obra de Chico Xavier em musical

Crédito: Fabiano Costa/CEsB

por Pierre Triboli
Brasília

Ao longo de três dias, o musical “Chico Xavier – O anjo das escritas iluminadas” emocionou e cativou o público que lotou, no segundo final de semana de março, a sala Martins Pena, do Teatro Nacional, em Brasília.

Um dos principais expoentes do movimento espírita, Francisco Cândido Xavier ganhou vida no palco brasiliense, sob a produção da Comunhão Espírita, em uma performance esfuziante que retratou com muita sensibilidade os principais momentos da trajetória do médium mineiro, da infância pobre na pacata cidade de Pedro Leopoldo , em Minas Gerais, no início do século 20, até a partida para o mundo espiritual aos 92 anos em 2002.

A plateia, em cada uma das sessões da peça, acompanhou atenta, durante mais de três horas, a história de Chico Xavier, que teve as primeiras experiências mediúnicas aos quatro anos de idade. O espetáculo jogou luz em episódios trágicos da infância de Chico, como a perda precoce da mãe, a separação dos irmãos e as agressões físicas que sofreu na casa de uma madrinha.

Crédito: Fabiano Costa/CEsB

A encenação, repleta de canto e dança, enfatizou a superação e os exemplos de humildade e simplicidade do menino que cursou apenas o primário e acabou psicografando mais de 400 livros que tiveram a renda destinada a obras assistenciais. Uma história que ainda hoje gera reflexões por seus desafios humanos e que é motivo de inspiração para os que procuram seguir um caminho de caridade e dedicação ao próximo.

A peça tem início com a celebração do pentacampeonato do Brasil na Copa do Mundo de 2002, dia que coincide com o desencarne de Chico Xavier. O médium eleito o maior brasileiro de todos os tempos afirmava em vida que iria partir para o plano espiritual de maneira discreta num contexto de alegria coletiva no país.

Após a morte da mãe, Chico sofreu maus-tratos da madrinha e era castigado quando relatava os contatos que mantinha com “aqueles de outro mundo”. Ao mesmo tempo em que vivia situações dolorosas, a personalidade do menino foi adquirindo valores nobres, como a paciência e a resignação, que vão marcar a condução de seu trabalho nas décadas seguintes.

Além da mãe que partiu cedo e que permaneceu em diálogo com ele a partir do plano espiritual, a peça também apresenta personagens fundamentais na vida de Chico, como o mentor Emmanuel, que foi seu orientador permanente na psicografia das obras literárias.

Crédito: Fabiano Costa/CEsB

Uma das cenas mais emocionantes é quando Chico Xavier recebe a visita daqueles espíritos com quem iria trabalhar em parceria: André Luiz, Irmã Sheila, Humberto de Campos, Meimei, Augusto dos Anjos, Bezerra de Menezes e Auta de Souza. Juntamente com Emmanuel e com a mãe de Chico, todos fazem um círculo ao redor do médium e, cantando, avisam que vão apoiá-lo dali para frente. A cena demonstra o brilhante trabalho da equipe de atores dirigida por Germana Carsten, responsável pela Diretoria de Arte e Cultura da Comunhão Espírita de Brasília.

Crédito: Fabiano Costa/CEsB

A peça mostra, ainda, o contexto em que ocorre a publicação do primeiro livro psicografado por Chico Xavier: “Parnaso de Além-Túmulo”, de 1932. A obra que apresentou Chico para o mundo gerou muita polêmica à época em razão da desconfiança de muita gente, incluindo uma plêiade de intelectuais, de que o médium de Pedro Leopoldo fosse um farsante. Apesar do ceticismo em torno do trabalho de Chico Xavier, dirigentes da Federação Espírita Brasileira (FEB) reconheceram o estilo literário dos autores do plano espiritual nas psicografias e decidiram bancar a publicação da obra. Dali pra frente, a FEB seguiu ao longo de décadas publicando centenas de livros do médium mineiro.

De forma bem-humorada, o espetáculo arrancou risos da plateia ao brincar com a estratégia utilizada por Emmanuel para evitar que o discípulo se desmotivasse com o tamanho da missão. O mentor espiritual anunciava de forma fatiada a psicografia dos livros. Inicialmente, tratava-se da publicação de 30 obras. Concluída a meta, Emmanuel informou Chico que viriam mais 30 livros, meta que vai sendo diversas vezes ampliada até totalizar as centenas de publicações durante a vida do médium.

Crédito: Fabiano Costa/CEsB

O musical prossegue mostrando os desafios de Chico Xavier já em meio ao trabalho consolidado de médium: disputas judiciais envolvendo os livros, acusações e ofensas daqueles que não reconheceram a autenticidade de sua psicografia. Em meio a esses conflitos, ocorre sua mudança para Uberaba, no Triângulo Mineiro, e a fundação do Grupo Espírita da Prece, centro no qual passou a exercer suas atividades mediúnicas.

Além da vasta produção literária em parceria com o plano espiritual, Chico também dedicou parte significativa da vida psicografando um grande volume de receitas homeopáticas e cartas ditadas por espíritos para tentar confortar familiares e amigos inconformados pela perda de entes queridos.

“A vida também é participação, não é omissão”, enfatiza Chico Xavier em uma das cenas do espetáculo.

Crédito: Fabiano Costa/CEsB

O musical comoveu e emocionou não apenas os seguidores da doutrina espírita, mas também todos aqueles interessados em uma das figuras mais marcantes da história do Brasil, que continua inspirando bons ideais de solidariedade e amor ao próximo.

Crédito: Fabiano Costa/CEsB

Respostas de 2

  1. Linda e emocionante homenagem à vida de Chico Xavier no musical O Anjo das Escritas Iluminadas.
    Meus parabéns à Diretoria de Arte e Cultura da Comunhão Espírita de Brasília pelo belíssimo trabalho.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Recentes:

Filme ‘Sexo e Destino’ estreia dia 21 nos cinemas
O que é a Páscoa na visão espírita?
Evangelho Segundo o Espiritismo comemora 162 anos de lançamento
Espetáculo da Comunhão retrata vida e obra de Chico Xavier em musical